Beads, Incense and Crossroads
segunda-feira, 22 de outubro de 2012
quarta-feira, 17 de outubro de 2012
SESC São Caetano
Olá leitores,
Primeiramente meus sinceros pedidos de compreensão ao meu afastamento das atividades no blog. As aulas no SESC São Caetano (entre os meses de Julho e Setembro) foram um marco para minha carreira, sem sombra de dúvida. Tanto pela envergadura do projeto e pela importância do estabelecimento, quanto pela experiência adquirida. De início, me deparar com 25 pessoas das mais variadas faixas etárias, e praticamente nenhum conhecimento prévio em dança me serviram como um desafio.
Me lembrei das palavras de meu Guru: "um professor deve sempre ensinar algo para quem o procura independente das limitações, o desejo do aprendiz conduzido com disciplina pelo professor se transforma em Arte".
O Odissi é uma arte muito complexa, muito exigente. Sabia que muitos ali não iriam levar adiante, assim como muitos vieram unicamente confundindo essa refinada e sagrada arte com alguma outra dança do oriente, ou com bollywood.
Não tive tempo para preparar devidamente cada um, então tive o desafio de adaptar alguma movimentação entendendo que a técnica não se alicerçaria em tão pouco tempo. Mas com a saída de cada um dos desistentes (cada um com seu motivo), pude me aproximar pouco a pouco da turma. E ali encontramos um tesouro... tenho certeza que as últimas semanas serão guardadas com muito carinho por cada um dos que participaram da oficina.
E ensinando nessas circunstâncias pude aprender muita coisa, e pude realizar que por mais difícil que seja levar adiante essa forma de arte tão exótica e tão distante do interesse geral, essa é minha mais prazerosa missão, meu Dharma.
Vitor, Fátima, Fernanda, Janaina, Anedina, Zenaide e Concepcion..... meu muito obrigado.
Namaskar.
Primeiramente meus sinceros pedidos de compreensão ao meu afastamento das atividades no blog. As aulas no SESC São Caetano (entre os meses de Julho e Setembro) foram um marco para minha carreira, sem sombra de dúvida. Tanto pela envergadura do projeto e pela importância do estabelecimento, quanto pela experiência adquirida. De início, me deparar com 25 pessoas das mais variadas faixas etárias, e praticamente nenhum conhecimento prévio em dança me serviram como um desafio.
Me lembrei das palavras de meu Guru: "um professor deve sempre ensinar algo para quem o procura independente das limitações, o desejo do aprendiz conduzido com disciplina pelo professor se transforma em Arte".O Odissi é uma arte muito complexa, muito exigente. Sabia que muitos ali não iriam levar adiante, assim como muitos vieram unicamente confundindo essa refinada e sagrada arte com alguma outra dança do oriente, ou com bollywood.
Não tive tempo para preparar devidamente cada um, então tive o desafio de adaptar alguma movimentação entendendo que a técnica não se alicerçaria em tão pouco tempo. Mas com a saída de cada um dos desistentes (cada um com seu motivo), pude me aproximar pouco a pouco da turma. E ali encontramos um tesouro... tenho certeza que as últimas semanas serão guardadas com muito carinho por cada um dos que participaram da oficina.
E ensinando nessas circunstâncias pude aprender muita coisa, e pude realizar que por mais difícil que seja levar adiante essa forma de arte tão exótica e tão distante do interesse geral, essa é minha mais prazerosa missão, meu Dharma.
Vitor, Fátima, Fernanda, Janaina, Anedina, Zenaide e Concepcion..... meu muito obrigado.
quinta-feira, 5 de julho de 2012
Programação Mês de Julho
Olá amigos,
Ultimamente tenho ficado mais distante do blog. Na verdade eu sou bem de fases com as atividades virtuais rs. Depois que criei minha fanpage no Facebook (https://www.facebook.com/raphaodissi), e com a correria para acertar os inícios das minhas aulas no SESC São Caetano acabei optando em deixar o blog um pouco de lado.
Como definitivamente minha carreira entrou nos trilhos, também comecei a me dedicar mais afinco não apenas aos ensaios (o que é OBRIGATÓRIO para qualquer um que leve sua arte a sério) mas principalmente ao meu condicionamento e preparamento físico. E isso de início desgasta bastante...
Bom, vou retomar um antigo projeto do blog e vou abordar o Dashavatar (as dez clássicas Encarnações do Senhor Vishnu), postando cada avatar quinzenalmente. Nesse meio tempo também estarei postando minha agenda de apresentações, e estarei registrando fotos das minhas aulas e apresentações para compartilhar por aqui.
Á todos os amigos que visitam meu blog, meu muito obrigado!!!!
PROGRAMAÇÃO Mês de Julho:
- dia 8 (11 as 13 hrs): participação no Ratha Yatra - Santos organizado pela Gaudiya Satsanga Bhavan, na orla da praia entre o canal 1 e 2 com performances no antigo Fênix Café. Estarei apresentando o Namami Mangalacharan (saudação tradicional à Jagannatha, item introdutório do repertório do estilo Odissi) e o Hari Riha (abhinaya composto sobre o quarto Ashtapadi do Geeta Govinda de JayaDeva).
- dia 11 (19 as 20:30 hrs): início das oficinas no SESC São Caetano (inscrições esgotadas).
- dia 22 (a partir das 16 hrs): participação no 3° Festival Dança e Arte, no Centro de Convenções de São Vicente. Estarei apresentando o item Saveri Pallavi.
CONTATOS para aulas, shows ou palestras: rapha.odissi@gmail.com
Namaskar.
Ultimamente tenho ficado mais distante do blog. Na verdade eu sou bem de fases com as atividades virtuais rs. Depois que criei minha fanpage no Facebook (https://www.facebook.com/raphaodissi), e com a correria para acertar os inícios das minhas aulas no SESC São Caetano acabei optando em deixar o blog um pouco de lado.
Como definitivamente minha carreira entrou nos trilhos, também comecei a me dedicar mais afinco não apenas aos ensaios (o que é OBRIGATÓRIO para qualquer um que leve sua arte a sério) mas principalmente ao meu condicionamento e preparamento físico. E isso de início desgasta bastante...
Bom, vou retomar um antigo projeto do blog e vou abordar o Dashavatar (as dez clássicas Encarnações do Senhor Vishnu), postando cada avatar quinzenalmente. Nesse meio tempo também estarei postando minha agenda de apresentações, e estarei registrando fotos das minhas aulas e apresentações para compartilhar por aqui.
Á todos os amigos que visitam meu blog, meu muito obrigado!!!!
PROGRAMAÇÃO Mês de Julho:
- dia 8 (11 as 13 hrs): participação no Ratha Yatra - Santos organizado pela Gaudiya Satsanga Bhavan, na orla da praia entre o canal 1 e 2 com performances no antigo Fênix Café. Estarei apresentando o Namami Mangalacharan (saudação tradicional à Jagannatha, item introdutório do repertório do estilo Odissi) e o Hari Riha (abhinaya composto sobre o quarto Ashtapadi do Geeta Govinda de JayaDeva).
- dia 11 (19 as 20:30 hrs): início das oficinas no SESC São Caetano (inscrições esgotadas).
- dia 22 (a partir das 16 hrs): participação no 3° Festival Dança e Arte, no Centro de Convenções de São Vicente. Estarei apresentando o item Saveri Pallavi.
CONTATOS para aulas, shows ou palestras: rapha.odissi@gmail.com
Namaskar.
sábado, 9 de junho de 2012
"Dançarinos de São Vicente" entrevista Raphael Lopes
Dançarinos de SV: Quando surgiu a dança na sua vida, como foi e há quanto tempo faz?
Raphael: Chega a ser clichê mas é impossível não dizer o que todos os dançarinos dizem: a dança surgiu desde sempre em minha vida! Sempre gostei muito de me apresentar nas festas escolares, e desde criança gostava de montar coreografias próprias paras as músicas que ouvia. Quando vim de São Paulo com quinze anos para São Vicente comecei a fazer as oficinas culturais da Prefeitura de SV (em 2000), em partes porque certamente seria um ambiente para fazer amigos já que tinha acabado de chegar de outra cidade, mas principalmente porque ansiava participar de algum grupo em atividade.
Dançarinos de SV: Você conheceu a Dança Clássica Indiana através de quem?
Raphael: Uma amiga minha de Santa Catarina (dançarina de Raks el Shark) havia visto uma performance de Bharata Natyam (estilo clássico do Sul da Índia) com a famosa esposa do físico indiano Amit Goswami, a psicóloga Uma Krishnamurti. Ela, sempre tão crítica, me descreveu entusiasmada sobre o que havia visto, e eu então comecei a pesquisar por conta. Na época a internet era um veículo pouco popular e útil para esse segmento em específico, e me lembro de vasculhar bibliotecas em busca de referências sobre dança indiana, o que era quase impossível haja visto a quase total falta de publicações nacionais sobre o tema. Em 2005, conheci a bailarina Silvana Duarte e pude fazer seu curso de Formação Teórica e Embasamento Técnico do Estilo Odissi. Desde então não parei mais de buscar informações e contatos que enriqueçam meu know-how.
Dançarinos de SV: Você teve contato com outras modalidades. Pode nos falar um pouco sobre elas e no que isso contribuiu na construção da sua carreira?
Raphael: Sim, comecei com as oficinas de street dance da SECULT. Na época entrei primeiramente para a cia de dança do Douglas Rebelo (Fator Funk) seguindo para a cia do Alessandro Cardoso (Atmosfera). Na época pude realizar meu sonho recém chegado da capital em conhecer novos amigos (alguns os quais mantenho contato até hoje), e de viajar para algumas cidades para me apresentar. Em 2002 tive contato com o Holokahana Dance, onde tive minhas primeiras incursões fora do street dance.
Na mesma época comecei a conhecer outros estilos além da dança tahitiana como o dabke e o flamenco. Todas essas influências ficaram visíveis quando criei minha própria companhia de dança, que se chamava Ágora (as antigas praças Gregas) e mesclava em meu trabalho todos os estilos de dança pelos quais transitei. Em partes sofri muita influência do meu primeiro coreógrafo Douglas Rebelo, e mantive sempre muito forte o seu estilo em manter um conceito cênico sempre em evidência. Nessa mesma época tive a oportunidade de fazer aulas no Ballet Valderez, e conheci o estilo Afro na cia de dança Dinastia, onde tive a oportunidade de ser convidado para montar uma coreografia de street dance num momento onde esse estilo sofria sua grande revolução do old school para o new school. Daí em diante, me foquei unicamente na dança clássica Odissi. Posso afirmar que esse é o meu estilo, mas guardo com carinho todas as minhas histórias com os outros estilos que pude dançar.
Dançarinos de SV: Raphael, sabemos que na nossa região a Dança Clássica Indiana ainda é pouco conhecida, apesar de ser uma modalidade bem antiga. Em sua opinião o que falta para aumentar a divulgação nesta modalidade?
Raphael: A dança Odissi possui uma cárater cultural e espiritual muito forte, não tem caráter apelativo e necessita ser apreciada como uma refinada obra de arte. Somos muito poucos bailarinos de danças clássicas indianas no Brasil, e estamos aos poucos introduzindo essa dança milenar para o público em geral. Em partes, normalmente irá se interessar por essa modalidade apenas aqueles já vinculados ou curiosos com a cultura oriental. Agora compete a cada bailarino saber difundir sua arte, e acima de tudo saber explicar e esclarecer sobre a mesma.
Dançarinos de SV: Você fez aulas aonde e quais foram seus professores?
Raphael: Iniciei meus estudos com a bailarina Silvana Duarte, seguidos por três anos de estudos com Andrea Prior no Espaço Rasa – ambas na capital. Retomei mais um ano de estudos com Silvana Duarte, e tive aulas com a professora Andrea Albergaria em Atibaia. Em 2012 tive a oportunidade de estudar na conceituada escola Rudraksha Foundation em Bhubaneswar (Orissa – Índia), diretamente com o Guru Bichitrananda Swain – renomado coreógrafo e bailarino com quase 40 anos de carreira.
Dançarinos de SV: O que mais te fascina na Dança Clássica Indiana?
Raphael: A riqueza de detalhes e a busca insaciável pela beleza transcendental. É uma dança com pelo menos dois mil anos de tradição, com um corpo de conhecimento profundo, que é interconectada com a mitologia e com a literatura hinduísta. A formação total nessa dança envolve uma imersão na cultura hindu, que sempre me fascinou.
Dançarinos de SV: Com a novela Caminho das Índias que passou na Rede Globo as pessoas puderam conhecer um pouco mais sobre o universo da dança desse povo tão místico. Mas, os estilos apresentados na novela eram mais populares. Você pode nos esclarecer um pouco sobre os diferentes estilos de Dança Indiana?
Raphael: A novela infelizmente foi um desserviço a dança clássica indiana. Nada contra as danças populares, mas o modismo gerado com a novela permitiu que pessoas sem o devido cuidado e respeito iniciassem a copiar vídeos do youtube ou mesclar de forma errônea danças clássicas em suas coreografias. Em partes a moda passou e com isso o número de aproveitadores reduziu drasticamente, mas as ditas danças modernas recheadas com tentativas efusivas de executar movimentos clássicos ainda aparecem. A famosa indústria de filmes Bollywood popularizou em todo o mundo a dança Bhangra, o Kathak, e a Kalbelya. Só que esses estilos não podem ser entendidos como Bollywood, são totalmente diferente entre si sendo o Kathak também um estilo clássico. Esses erros infelizmente são perpetuados pelos ditos dançarinos modernos, que normalmente rotulam o clássico de chato ou sonoramente desagradável ao ouvido ocidental. Ouso dizer que se somos poucos bailarinos clássicos no Brasil, são ainda menos os autênticos dançarinos da dita dança indiana de Bollywood.
Dançarinos de SV: Por que você optou pela clássica?
Raphael: Depois de muitos anos como um dançarino performático, e ao iniciar meus estudos em massoterapia, metafísica e filosofia oriental passei a me preocupar por um meticuloso e acurado aprofundamento em tudo o que passei a fazer. Sem contar que a dança clássica é uma fonte perene de informação, através da qual pude amadurecer como ser humano.
Dançarinos de SV: Como a sua família e amigos enxergam seu trabalho? Você sempre teve apoio, ou enfrentou preconceitos com a sua profissão?
Raphael: De início minha família estranhou muito minha súbita paixão pela dança, já que fui um menino tímido e inteligente com um provável futuro acadêmico. Na medida em que os anos passaram, e eles viam que a dança não me trazia retorno financeiro o desinteresse deles por minha carreira ficou ainda mais embasado. E pra piorar, estudar dança clássica indiana exige um certo desprendimento financeiro (rsrs). Hoje vivendo com o Vinícius há quase cinco anos, encontrei nele um amigo a confiar e incentivar minha carreira. Inclusive cheguei a gastar quase todo o meu salário mensalmente com as minhas aulas, e isso só foi possível graças à compreensão dele.
Minha família só entendeu realmente que eu ia viajar para Índia para dançar prestes a subir no avião rsrs.... No meu caso, uma formação real em Odissi só é possível fora do país. E bancar uma viagem dessa anualmente só é possível com muita administração familiar e o apoio de casa.
Dançarinos de SV: O que você mais deseja realizar hoje na Dança Clássica Indiana?
Raphael: Gosto muito de lecionar. Gosto de conversar e compartilhar meus conhecimentos em aula, como professor meu maior sonho é ter alunos interessados e dedicados. Com minha viagem tive a oportunidade de me tornar representante do meu Guru aqui no Brasil, e estou programando uma turnê pela América Latina com ele em breve. Também desejo me apresentar no Festival Internacional de Odissi, e estou me programando para isso no ano que vêm. Quero muito poder levar a dança a muitos e muitos palcos, levar o Odissi ao coração das pessoas.
Dançarinos de SV: Como a sociedade pode contribuir com isso?
Raphael: A sociedade precisa valorizar e estar presente nas atividades artísticas. É triste ver que a maioria dos festivais de dança possui em sua plateia apenas os parentes e amigos mais próximos dos bailarinos. Quando o interesse geral aumentar pela dança, um maior número de apresentações se fará possível. Ao mesmo tempo o bailarino precisa ser respeitado como profissional, receber pelo seu trabalho, e isso se faz apenas se a sociedade consumir Arte.
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| Rudraksha Foundation - Índia Março 2012 |
Raphael: Atualmente dou aulas na Escola Campo das Tribos, primeira escola totalmente especializada no estilo ATS e Fusion em SP aos sábado das 17 as 18h30. Nas segundas eu dou aula em Santos, no Espaço Equilibrium 3C – Yoga e Pilates (das 9 as 10h30). Estarei em breve iniciando uma nova turma no ABC Paulista.
Dançarinos de SV: Para concluirmos, deixe uma mensagem para todos os amantes da dança:
Raphael: Busque ser o melhor sempre, não melhor do que o outro mas sempre o melhor que você pode ser e dar de si mesmo. Aprendam a respeitar o trabalho do outro bailarino, e saibam prestigiar e consumir arte. Deixe a crítica ácida e o comentário maledicente, e simplesmente faça o melhor ao invés de julgar o outro. Ensaie como se estivesse sempre em cena, e dedique-se sempre a execução perfeita do movimento. E lembre-se sempre de sentir intensamente o palco, pois não há nada como a sensação de dançar!!!
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| Konarak Temple - Índia Abril 2012 |
Raphael Lopes é Massoterapeuta formado no Senac em 2004, e além de professor e bailarino, também dá palestras sobre a dança Odissi. Ele estará dançando no Ratha Yatra (desfile devocional das deidades) que será realizada em Santos no mês de julho.

Adi Templo ISKCON - SP Maio 2012
Confira a entrevista cedida originalmente no blog: http://dancarinossv.blogspot.com.br/2012/06/entrevista-com-raphael-lopes-danca.html
sexta-feira, 1 de junho de 2012
Enfim, Índia!!!! (parte 2)
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| Bichi Sir e os bailarinos da Rudraksha Foundation |
Fiz amizade com os alunos residentes na escola, e também com as moças que estavam recebendo treinamento (a escola também recebia alunas para as aulas, mas elas não podiam entrar para o regime de internato).
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| Nossas aulas diárias na escola |
Não consegui conhecer muitos lugares diferentes da cidade, e até preferi não sair muito pois fui com o dinheiro contado e mesmo tudo sendo bem barato, um turismo comercial estava fora do meu orçamento. Mas não podia perder a oportunidade de adquirir um figurino costurado pelo próprio Bagirathi Das, e de adquirir os ornamentos da dança no Alankar. Esses passeios sempre eram bem divertidos, pois além de sair da rotina rígida dos treinos era uma forma de confraternizar com bailarinos do mundo todo e se divertir um pouco.
Foram momentos realmente agradáveis!!!
Num final de semana (aliás no único domingo em que não tive aula) aproveitamos para viajar para Puri e Konarak, e tive a oportunidade maravilhosa de conhecer alguns Templos no caminho, de passar por pequenos vilarejos, conhecer a famosa praia de Puri, de tocar as rodas da carruagem de Surya no Templo do Sol, e a emoção sem tamanho de ver pessoalmente o Templo de Jagannatha (uma pena que a entrada para não-indianos seja proibida).
| Templo de Surya, em Konarak |
Esse dia foi como uma recarga de energia, e minha dança se tornou mais viva depois disso. Bichi Sir chegou a elogiar meus avanços a partir de então!!! Uma outra benção sem tamanho nessa viagem foi a oportunidade de receber a Maha Prasada do KaliGhat de Calcutá. Nosso vizinho havia ido ao Templo para o Purnima Puja, e um dos Pujaris do Templo disse à ele que seria bom ele levar a prasada para alguém próximo dele. Na hora ele lembrou de mim, e nos trouxe pequenos bolinhos de melado, numa folha ofertada à Kali marcada com Tilaka. Muito auspicioso!!!
Meus últimos dias foram muito estranhos.... em partes queria voltar, estava ansioso pra ver o Vini e contar a todos a maravilhosa experiência que foi minha viagem. Mas ao mesmo tempo estava triste pois justo no momento em que tinha captado a alma do estilo do meu Guru, e que estava pronto para aprender novos itens o meu tempo se esgotava e precisava voltar... Programei propositalmente minha viagem num período onde pudesse estar lá no aniversário do meu Guru, já nos últimos dias. Fizemos uma pequena festa surpresa para ele!!!
Naquela noite resolvemos comer um Biryani de frango, e aquilo não me caiu bem.
Acabei ficando muito enjoado e com problemas intestinais, e precisei mais uma vez recorrer aos serviços do médico ayurvédico que era vizinho da nossa escola.
Aproveitei o último fim de semana também para me submeter à uma sessão completa de massagem e tratamento ayurvédico com direito a Abhyanga (massagem), Snehana (oleação), Pinda Sweda (massagem com saquinhos de arroz e ervas embebidas em leite aquecido), karna purana (oleação e massagem nas orelhas), e Swedana (sudorização).
Uma pena que no Brasil um tratamento desses seja tão caro, eu paguei o equivalente a R$ 20,00 por todo esse tratamento lá!!!
Bichi Sir me levou até o aeroporto, e nossa despedida foi muito emocionante... ambos seguramos o choro com lágrimas saindo dos olhos. A segurança e a alegria de pertencer à uma linhagem, de ter um Guru é uma das jóias mais preciosas que trago no meu baú de riquezas que foi essa viagem!
Voltei com a certeza que em breve estarei andando novamente por aquelas ruas que pulsam ao som do Pakhawaj, onde podemos sentir a presença de Shiva em cada palco com as performances divinas dos bailarinos que dedicam toda sua vida ao Odissi...
Cheguei aqui no Brasil e confesso que uma estranha tristeza se apossou de mim por um longo tempo.... em partes pela saudade, pela tristeza de não estar treinando, mas principalmente pelo impacto transformador que uma viagem desse calibre provoca na gente. Fiquei com meu organismo todo desregulado por mais de um mês, e isso só é reflexo da profundidade dessa experiência que ainda estou digerindo.
Mas sou feliz e acima de tudo muito orgulhoso desse grande primeiro passo, o primeiro de uma eterna caminhada de retorno à minha amada Índia em busca do aperfeiçoamento da minha dança, e do reencontro dos meus amados amigos!!!
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| No aeroporto em Delhi, voltando pra Londres... |
quarta-feira, 25 de abril de 2012
Enfim, Índia (Parte 1)
Aquela noite em que cheguei em Nova Delhi, com meu coração na mão e a emoção como uma descarga elétrica rasgando meu corpo, me lembro que eu tinha um senso de missão cumprida. E olha que era apenas o começo de muitos dias de emoções intensas, mas a viagem em si foi um sonho tantas vezes quase anulado que só chegar na Índia foi uma odisséia e tanto...
Conheci um rapaz um pouco mais velho do que eu, e uma mocinha que estava indo pra Rishkesh - ambos do Brasil, e sem falar inglês. Eu os ajudei com a imigração, e isso de certa forma tirou toda a tensão que eu imaginava ter quando chegasse nessas burocracias. Logo estava comprando minha passagem pra Bhubaneswar, e embarcar num vôo doméstico após ter saído do mega serviço da British AirWays foi um choque de realidade rs. Aeromoças de saree, chapati e chai no serviço de bordo, um avião minúsculo onde eu mal cabia de pé, e uma porção de indianos curiosos com aquele rapaz branco de quase dois metros!!!
Cheguei no Aeroporto de Bhubaneswar, e assim que pisei naquela terra um misto de extase e pavor pelo calor aquela altura do dia se apossaram do meu ser. Saindo do aeroporto uma moça com uma criança de colo ficou insistentemente no meu pé, dizendo que estava apaixonada por mim, que queria se casar comigo... enfim, acabei nem procurando orelhão e peguei o primeiro taxi que vi para chegar logo no meu destino final: Rudraksha Foundation!!!!
Cheguei as 8 da manhã na escola, e me senti em casa desde o primeiro momento em que pisei ali. Encontrar meu Guru me trouxe uma sensação de plenitude, uma segurança, e um orgulho por eu ter chegado tão longe... Conversei longas horas com todos os meninos residentes na escola, e fui descançar.
Acordei no fim do dia, e me aprontei rapidamente para podermos ir ao Festival de Novas Coreografias de Odissi. Os meninos iriam fechar o festival com a performance de "Devi". No teatro tive a honra de ser apresentado à Sujata Mohapatra, pelo próprio Bichi. Me segurei para não chorar, Sujata é uma diva inspiradora para mim desde o meu início nas pesquisas da dança e de repente estar ali ao lado dela, conversando e rindo era tão surreal como estar entre as Apsaras na corte de Indra...
E isso se repetiu por muitas e muitas vezes, pois tive a oportunidade de conhecer muitos dos maiores ícones do Odissi apresentado pelo próprio Bichi - o que me permitiu uma inserção amistosa no cenário da dança. Aruna Mohanty, Kedar Mishra, Shyamhari Chacra, Yudhistir Nayak, Rahul Acharya, Ratikant Mohapatra, Maria Valdez Useglio, e tantos outros nomes... fui muito afortunado!!!
Fui apresentado à uma nova rotina de aulas, acordávamos ao som do sino para as deidades ainda pela manhã fresca e perfumada de orvalho...
Tomavamos nosso banho, e íamos para a sala para meditação e orações. Em jejum e religiosamente todos os dias. Tinhamos um leve desjejum, e logo se seguiam as aulas. Pela manhã realizavamos uma rigorosa série de aquecimentos, alongamentos, e exercícios aeróbicos. A construção pelo corpo perfeito e a postura perfeita são tidas em alta conta nas danças clássicas, e mais importante do que aprender um item coreográfico nossa primeira preocupação é aprender a dançar corretamente.
A comida lá era sempre bem apimentada, o que não foi um problema já que usualmente cozinhava algo picante aqui no Brasil. O problema era não ter um desjejum reforçado (sem contar que geralmente eles comiam fritura ou algo já condimentado logo cedo), e sempre comer tudo com muita pimenta - TODOS OS DIAS rs.
As aulas de tão intensas muitas vezes me levavam a um nível de exaustão tão grande, que apenas um relaxante muscular direto na veia podia aliviar as dores pro dia seguinte. Mas esses foram os dias mais felizes da minha vida... sem sombra de dúvida.
Nessa viagem tive a oportunidade de conhecer outros estrangeiros que estavam frequentando aulas na escola. Lucrezia da Itália e Mira da Alemanha, com quem tive muitos momentos divertidos. Kiran dos Estados Unidos e Maya da Espanha, também rechearam nossos dias de histórias e situações inusitadas - engraçadas...
Certamente, essa não foi apenas uma viagem para dança. Fui tão focado no meu sonho e na alegria de encontrar o Bichi que não havia me flagrado que encontraria pessoas com quem compartilharia o amor pela dança clássica, e que se tornariam meus irmãos e família.
...continua...
Conheci um rapaz um pouco mais velho do que eu, e uma mocinha que estava indo pra Rishkesh - ambos do Brasil, e sem falar inglês. Eu os ajudei com a imigração, e isso de certa forma tirou toda a tensão que eu imaginava ter quando chegasse nessas burocracias. Logo estava comprando minha passagem pra Bhubaneswar, e embarcar num vôo doméstico após ter saído do mega serviço da British AirWays foi um choque de realidade rs. Aeromoças de saree, chapati e chai no serviço de bordo, um avião minúsculo onde eu mal cabia de pé, e uma porção de indianos curiosos com aquele rapaz branco de quase dois metros!!!
Cheguei no Aeroporto de Bhubaneswar, e assim que pisei naquela terra um misto de extase e pavor pelo calor aquela altura do dia se apossaram do meu ser. Saindo do aeroporto uma moça com uma criança de colo ficou insistentemente no meu pé, dizendo que estava apaixonada por mim, que queria se casar comigo... enfim, acabei nem procurando orelhão e peguei o primeiro taxi que vi para chegar logo no meu destino final: Rudraksha Foundation!!!!
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| Esquina da rua da escola |
Cheguei as 8 da manhã na escola, e me senti em casa desde o primeiro momento em que pisei ali. Encontrar meu Guru me trouxe uma sensação de plenitude, uma segurança, e um orgulho por eu ter chegado tão longe... Conversei longas horas com todos os meninos residentes na escola, e fui descançar.
Acordei no fim do dia, e me aprontei rapidamente para podermos ir ao Festival de Novas Coreografias de Odissi. Os meninos iriam fechar o festival com a performance de "Devi". No teatro tive a honra de ser apresentado à Sujata Mohapatra, pelo próprio Bichi. Me segurei para não chorar, Sujata é uma diva inspiradora para mim desde o meu início nas pesquisas da dança e de repente estar ali ao lado dela, conversando e rindo era tão surreal como estar entre as Apsaras na corte de Indra...
E isso se repetiu por muitas e muitas vezes, pois tive a oportunidade de conhecer muitos dos maiores ícones do Odissi apresentado pelo próprio Bichi - o que me permitiu uma inserção amistosa no cenário da dança. Aruna Mohanty, Kedar Mishra, Shyamhari Chacra, Yudhistir Nayak, Rahul Acharya, Ratikant Mohapatra, Maria Valdez Useglio, e tantos outros nomes... fui muito afortunado!!!
Fui apresentado à uma nova rotina de aulas, acordávamos ao som do sino para as deidades ainda pela manhã fresca e perfumada de orvalho...
Tomavamos nosso banho, e íamos para a sala para meditação e orações. Em jejum e religiosamente todos os dias. Tinhamos um leve desjejum, e logo se seguiam as aulas. Pela manhã realizavamos uma rigorosa série de aquecimentos, alongamentos, e exercícios aeróbicos. A construção pelo corpo perfeito e a postura perfeita são tidas em alta conta nas danças clássicas, e mais importante do que aprender um item coreográfico nossa primeira preocupação é aprender a dançar corretamente.
A comida lá era sempre bem apimentada, o que não foi um problema já que usualmente cozinhava algo picante aqui no Brasil. O problema era não ter um desjejum reforçado (sem contar que geralmente eles comiam fritura ou algo já condimentado logo cedo), e sempre comer tudo com muita pimenta - TODOS OS DIAS rs.
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| Almoço em Konarak (beeeem apimentado rs) |
As aulas de tão intensas muitas vezes me levavam a um nível de exaustão tão grande, que apenas um relaxante muscular direto na veia podia aliviar as dores pro dia seguinte. Mas esses foram os dias mais felizes da minha vida... sem sombra de dúvida.
Nessa viagem tive a oportunidade de conhecer outros estrangeiros que estavam frequentando aulas na escola. Lucrezia da Itália e Mira da Alemanha, com quem tive muitos momentos divertidos. Kiran dos Estados Unidos e Maya da Espanha, também rechearam nossos dias de histórias e situações inusitadas - engraçadas...
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| Mi Ra, Lucrezia, Bikas e Maya |
Certamente, essa não foi apenas uma viagem para dança. Fui tão focado no meu sonho e na alegria de encontrar o Bichi que não havia me flagrado que encontraria pessoas com quem compartilharia o amor pela dança clássica, e que se tornariam meus irmãos e família.
quarta-feira, 7 de março de 2012
Indo à Índia - Parte 4 (ou quando quase tudo deu errado)
Dia 13 de Dezembro de 2011 fui ao banco e saquei em dinheiro quase três mil reais... Curioso é que para mim, eu não estava com um montante incalculável ou útil para tantas outras coisas. A única coisa que tinha em mente é que eu estava com a chave nas mãos, a chave que abriria a porta que me conduziria a Índia - e essa emoção não custa três mil reais, nem sei se tem preço. E digo isso só pra sintetizar a grandiosidade que foi esse momento em que comprei a passagem.
Mas além de trabalhar todos os dias num ambiente estressante e que me consumia quase dois terços do dia (saía de casa às 13 hrs e voltava depois das 23 hrs...), o que mais me impediu de "curtir" a viagem foi a situação do despejo eminente. A proprietária do apartamento havia chegado alguns dias, não nos ligou em momento algum, e deixou claro que tinha pressa em voltar pro seu apartamento - e estávamos na cara das festas de fim de ano.
Os dias seguintes se resumiram em pegar as poucas horas úteis da manhã pra pesquisar um novo apartamento, seja pela internet ou pior ainda, batendo perna. Pra piorar, um erro na transação do banco decorrente do empréstimo, fez com que a funcionária do banco abrisse o meu sigilo bancário para minha então supervisora. Ela inclusive me alertou dos riscos de demissão, que aconteceu justamente quatro dias depois da entrada do ano novo.
Sem emprego, com uma funcionária do banco pedindo o dinheiro (já gasto) de volta, e sem casa....
O pouco que me havia restado eu usaria pra arcar os demais custos da viagem (documentação, translados, estadia e alimentação), mas me vi tendo que abrir mão disso para não apenas manter as contas, mas inclusive arcar com as despesas de uma mudança de residência!
Ali sentei e chorei como criança, sem ninguém olhando minhas fraquezas, com muitas pessoas talvez nem imaginando o tamanho da pressão que eu carregava no peito. Num instante resolvi que iria devolver a passagem, pegar parte do dinheiro de volta (sim, eles não devolvem o dinheiro integralmente), e arcar com as dívidas e gastos surpresas.
Mas o chamado da Mãe Índia falou mais alto... fui convidado para dançar Surya (o Deus Sol) no evento "Revelando SP" em Atibaia. Essa apresentação serviu como um incentivo à mais na minha certeza de me dedicar inteiramente à dança. Decidi que iria pra Índia, mesmo que não tivesse dinheiro suficiente para uma viagem segura. (obrigado meninas!!!)
Um amigo e irmão me assegurou que me ajudaria caso fosse necessário, e junto com o eterno suporte e apoio do Vinícius superei minha crise interna... de quebra, conseguimos resolver a mudança de residência com minha rescisão de contrato, e faltando dois dias para vencer nosso prazo no antigo apartamento e praticamente sem ter pra onde ir, conseguimos a chave da nossa nova casa!!!
Aprendi muito com todas essas provações, e vi que tudo aconteceu exatamente da forma como deveria. Se não houvesse a demissão, não teria dinheiro pra arcar as mudanças e nem tempo pra correr atrás da papelada de visto, passaporte, vacinas, enfim... isso por si só já renderia uma postagem a parte.
Estou aqui, há menos de duas semanas para minha viagem, com o coração que não se aguenta, e o corpo moído de tanta tensão.
E que venha a Índia, meu sonho utópico realizado, graças a força que descobri ter frente as adversidades!!!
Me sinto como um guerreiro que se preparou a vida toda para a batalha da sua vida, como um bailarino que se preparou a vida inteira para seu Solo no teatro municipal... minha vida se justifica nessa viagem!
Sei que o dia em que subir no avião vou deixar pra trás todas as preocupações, contas, dores, fofocas, rotinas....Sei que o Raphael que sobe nessa avião é a pessoa mais feliz desse Universo, unicamente porque estou indo encontrar a terra dos Deuses, e dançar ao lado de lendas vivas. E vou guardar esse Raphael com carinho no peito e na memória, e espero que nas inúmeras outras viagens que eu fizer ele possa me fazer lembrar a emoção que senti na primeira viagem!!!
Mas além de trabalhar todos os dias num ambiente estressante e que me consumia quase dois terços do dia (saía de casa às 13 hrs e voltava depois das 23 hrs...), o que mais me impediu de "curtir" a viagem foi a situação do despejo eminente. A proprietária do apartamento havia chegado alguns dias, não nos ligou em momento algum, e deixou claro que tinha pressa em voltar pro seu apartamento - e estávamos na cara das festas de fim de ano.
Os dias seguintes se resumiram em pegar as poucas horas úteis da manhã pra pesquisar um novo apartamento, seja pela internet ou pior ainda, batendo perna. Pra piorar, um erro na transação do banco decorrente do empréstimo, fez com que a funcionária do banco abrisse o meu sigilo bancário para minha então supervisora. Ela inclusive me alertou dos riscos de demissão, que aconteceu justamente quatro dias depois da entrada do ano novo.
Sem emprego, com uma funcionária do banco pedindo o dinheiro (já gasto) de volta, e sem casa....
O pouco que me havia restado eu usaria pra arcar os demais custos da viagem (documentação, translados, estadia e alimentação), mas me vi tendo que abrir mão disso para não apenas manter as contas, mas inclusive arcar com as despesas de uma mudança de residência!
Ali sentei e chorei como criança, sem ninguém olhando minhas fraquezas, com muitas pessoas talvez nem imaginando o tamanho da pressão que eu carregava no peito. Num instante resolvi que iria devolver a passagem, pegar parte do dinheiro de volta (sim, eles não devolvem o dinheiro integralmente), e arcar com as dívidas e gastos surpresas.
Mas o chamado da Mãe Índia falou mais alto... fui convidado para dançar Surya (o Deus Sol) no evento "Revelando SP" em Atibaia. Essa apresentação serviu como um incentivo à mais na minha certeza de me dedicar inteiramente à dança. Decidi que iria pra Índia, mesmo que não tivesse dinheiro suficiente para uma viagem segura. (obrigado meninas!!!)
Um amigo e irmão me assegurou que me ajudaria caso fosse necessário, e junto com o eterno suporte e apoio do Vinícius superei minha crise interna... de quebra, conseguimos resolver a mudança de residência com minha rescisão de contrato, e faltando dois dias para vencer nosso prazo no antigo apartamento e praticamente sem ter pra onde ir, conseguimos a chave da nossa nova casa!!!
Aprendi muito com todas essas provações, e vi que tudo aconteceu exatamente da forma como deveria. Se não houvesse a demissão, não teria dinheiro pra arcar as mudanças e nem tempo pra correr atrás da papelada de visto, passaporte, vacinas, enfim... isso por si só já renderia uma postagem a parte.
Estou aqui, há menos de duas semanas para minha viagem, com o coração que não se aguenta, e o corpo moído de tanta tensão.
E que venha a Índia, meu sonho utópico realizado, graças a força que descobri ter frente as adversidades!!!
Me sinto como um guerreiro que se preparou a vida toda para a batalha da sua vida, como um bailarino que se preparou a vida inteira para seu Solo no teatro municipal... minha vida se justifica nessa viagem!
Sei que o dia em que subir no avião vou deixar pra trás todas as preocupações, contas, dores, fofocas, rotinas....Sei que o Raphael que sobe nessa avião é a pessoa mais feliz desse Universo, unicamente porque estou indo encontrar a terra dos Deuses, e dançar ao lado de lendas vivas. E vou guardar esse Raphael com carinho no peito e na memória, e espero que nas inúmeras outras viagens que eu fizer ele possa me fazer lembrar a emoção que senti na primeira viagem!!!
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